Poesia

Cotidiano Periférico

Cômica sociedade onde batatas doces saltitam

Mas, o Edmilson, pobre juvenil,

Sofre brutal influência e, na mais pura inocência,
Usa uma cuíca pra fazê feijão.

Dança da chuva
Dança na rua
Deixando ensopado
O tênis molhado
Mas nem tomo cuidado
Disse leva o guarda chuva, mas acho papo furado
Agora fico lombrado, ouvido tampado, com cara de chapado
E o nariz cheio de catarro.

É parceirin, dançou de salto alto,

A imunidade tá baixa,

E a gripe veio de jato.
Anticorpos derrotados.
Agora tá nesse estado
Deprimente deprimido,

Sente dor até pra sentar no vaso,
O vaso sanitário.

Pobre juvenil,

Um pobre canário

Que sobre o feijão, alface e arroz

E os legumes sentam no prato.

E come calado no cavalo alado esperando
Dá o horário que te cobra a assinatura no contrato.
E tá em experiência; não pode pagar de pato.

Se passa de 4 meses já pode ser efetivado,

Acorrentado, atormentado, maltratado, humilhado,
Putz coitado, mas fazer o quê?

Tá no fundo do buraco.
Preferiu o rolêzin agora fica de papo furado

E com o nariz tampado.
Diz que não teve tanta sorte quanto aquele milionário
Que saiu do saco de ouro,

Filho de deputado.

Chama o pai dele de ladrão, aponta corrupção.
Depois aponta a arma diz que não tem essa não:
Passa o celular, carteira e o relojão

Que hoje eu vô pro baile pagando de Faustão.
 

Esse é o Edmilson, não paga vacilação.
Os muleque é tenebroso ouve só ostentação.
Mas se não vai com a cara dele só por que ele é boyzão,
Mete logo o apavoro e paga de bandidão.
Humildade é meu lema mas pra mim não tem perdão,
Ele tem mais condição a causa da distinção,
Se moscá eu levo tudo te deixo peladão,
Mas pra você, falta não faz,

Chega e pede que seu pai vai te dá mais e mais

Pois esse é o ciclo VISH RAPAIZ!

Cômica sociedade onde reina a separação.
Preto-branco, rico-pobre, cebolas, alface e agrião.

Manjericão no limão, salada com os irmão,
Cebolinha é na porção, breja ou água tá na mão.
Rolê nas quebrada, paz e amor no coração.

Postado em 8 de Janeiro de 2021.

Autor, Social, Posts & Comentários

Vinícius Marques

Tatuador, desenhista, quadrinista, músico, compositor, escritor, poeta.

Nascido em São Paulo, Vinícius cresceu brincando nos becos da São Rafael. Passava o dia na rua com seus amigos e, de noite, estudava música e desenho. Hoje ele é um tatuador profissional em Guarulhos e, além disso, faz trabalhos artísticos comunitários no bairro onde foi criado e que morou por tanto tempo.

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